segunda-feira, 30 de março de 2015

Curso básico de parapente

Curso básico de parapente 

Escola de parapente empinando o paraca

Associada à vooart de Cambui-MG
(35) 9963-2499 - Reginaldo: "Tio Régis" 
(35) 8857-6096 - Rodolfo: “Garça”


Alfenas, Machado, Serrania, Paraguaçu e região.

Há 5 mil horas atrás

Há 5 mil horas atrás

Vi minhas penas começarem a crescer.
Vi como a vida é frágil e a natureza poderosa.
Vi como o mundo é pequeno, lá de cima.
E como o infinito é grande.

Vi rio, lagoas, represas, mares e cachoeiras.
Vi morros, montanhas, serras, picos e cordilheiras.
Vi cidades crescerem e matas desaparecerem.
Vi pastos, plantações, queimadas e mineradoras.

Vi nuvens crescerem e se dissiparem.
Vi brisas e rajadas.
Vi raios e ouvi trovoadas.
Vi chuvas e tempestades.

Vi minha sombra sobre a nuvem.
Vi que ela é contornada por um arco-íris.
Vi o azul de um céu de inverno.
E a poluição abaixo da inversão.

Vi aves de rapina, condores e urubus-rei.
Vi andorinhas copulando em pleno voo.
Nunca mais vi uma harpia, nem um lobo-guará.
Todos eles me viram.

Vi a Mantiqueira, os Andes, os Alpes e a Canastra.
Vi o Pacífico, o Atlântico, o Mediterrâneo e o Índico.
Vi o Vale Sagrado e o do Paraopeba.
Vi todos os lados da Moeda.

Vi (mais de perto do que devia) cercas, postes, fios, árvores e telhados.
Vi helicópteros, balões, ultra-leves e planadores.
Acho que eles também me viram.
Não vi nada dentro das nuvens.

Vi a consagração de amigos e a resignação de outros.
Vi a resiliência de uns e a desistência de outros.
Vi os acertos de uns e os equívocos de outros.
Vi a paixão de todos.

Vi o avanço tecnológico.
Vi que a nossa mentalidade pouco evoluiu.
Vi o rendimento de nossas asas aumentarem.
Vi a segurança delas se esforçando para melhorar.

Vi a morte de perto, mais de uma vez.
Vi reservas abertos e outros que quase abriram.
Vi asas quebradas e outras fechadas.
Vi o chão rapidamente se afastando e igualmente se aproximando.

Vi o Pepê junto à minha asa.
Vi também o Calais e o Paulinho.
Vi amigos morrerem e seus filhos nascerem.
Vi o choro dos que compartilharam.

Vi que as causas dos acidentes continuam as mesmas.
Vi que nós mesmos somos os maiores responsáveis por eles.
Vi imprudência, imperícia e negligência.
Também vi a sorte sorrir.

Vi o romantismo dos novatos.
E a malícia dos veteranos.
Vi o arrojo dos jovens.
E a cautela dos mais experientes.

Vi isso tudo lá de cima.
Onde vejo o que verdadeiramente sou:
Um visionário.


Lucas Machado (30-08-2011)

Treinamento X Performance

Treinamento X Performance

Já escrevi sobre isso algumas vezes, mas, em se tratando de segurança de vôo,
nunca é demais retomar o debate.

Ao longo de vários anos em instrução de vôo, tenho observado um padrão de
comportamento técnico, infelizmente rotineiro, que compromete a qualidade e
segurança na decolagem.

É exatamente a perda de rendimento versus segurança na decolagem, cujo declínio
se faz notar em pilotos, já liberados de instrução, que contam com mais de 100
decolagens em rampa oficial.

Diga-se de passagem, que isso não ocorre com alunos recém formados, cuja técnica
de morrote com múltiplas simulações supervisionadas de decolagem, está bem
assimilada.

É interessante notar que o aluno, no início de vôo em rampa oficial, demonstra
uma técnica perfeita do procedimento de decolagem, fazendo do abandono do solo,
o "take off", uma coreografia bonita de se observar.

Não é difícil se observar um aluno nesta fase decolando e ter os comentários de
quem assiste dizendo; ´´ Não parece um aluno, mas sim um piloto experiente ! ´´

Tal constatação, óbvio, infla o ego do instrutor...

A cena padrão é esta:

O aluno recém chegado a rampa oficial de vôo, após vários meses de treinamento
básico em vários outros morros de menor elevação, destaca-se com uma atuação
perfeita no procedimento de decolagem.
Nesta fase sua performance durante o vôo ainda é baixa no que diz respeito a sua
permanência no ar, já que ainda não voa térmicas e lift. Os seus vôos, embora
com decolagem perfeita, limitam-se a poucos minutos no ar, fazendo a navegação
padrão até o pouso.

Tempos depois, percebe-se que o piloto recém-formado experimenta significativa
melhora de performance em vôo. A permanência no ar se torna mais longa, na
medida em que se aprimoram os fundamentos do vôo térmico e de lift.

Todavia, paralelo ao seu ganho de performance e melhoria dentro do vôo em si,
com mais tempo sustentado no ar, percebe-se perda de qualidade no procedimento
de decolagem. O que dá margem ao risco de sofrer acidente, no início dos
procedimentos, justamente onde os reflexos, outrora, eram nitidamente
aprimorados.

Por que isso acontece ?
A razão é simples, matemática:

Parou de treinar um fundamento, e logo esta falta de treinamento se traduz em
perda da performance e da segurança.

Vamos a um cálculo simples:

Partindo da premissa que nosso novo piloto esteja já com 100 decolagens na rampa
oficial após a conclusão de seu curso básico.

Quanto tempo leva uma decolagem ?
Aproximadamente 5 segundos

Quanto tempo leva um vôo prego ( vôo direto para o pouso ) ?
aproximadamente 7 minutos

Então nosso novo piloto, em 100 decolagens, já conta 700 minutos de vôo
treinado, propriamente dito
O que resulta em aproximadamente mais de 11 horas de vôo / treinamento. Por tal
razão, a performance no ar é cada vez melhor, já que isso se traduz em
treinamento / horas voadas

Por outro lado, dentro dos 100 vôos, o tempo total decorrido das decolagens são
de apenas 500 segundos.
Ou seja, o nosso novo piloto dentro de seus vôos só fez / treinou o fundamento
da decolagem por míseros 8 minutos !

8 minutos de treinamento...

Isto é, a prática de 100 vôos equivale a apenas 8 minutos de treino sobre a
primeira fase crítica do vôo, que é o fundamento da decolagem.

É por isso que os vôos estão cada vez mais altos e mais longos, mas a decolagem
começa a deixar o público na rampa com medo.

Quando se opta por tornar-se um piloto de vôo livre, deve-se ter em mente que
sua postura em relação à vida deverá com isso sofrer fortes alterações de
disciplina.
Se você optou em se tornar um piloto de vôo livre, seu propósito de vida deve
ser o do treinamento constante. Sempre !
Somente com treinamento constante você poderá estar apto a aproveitar uma das
maiores emoções que um ser humano pode ter, que é voar livre de uma montanha.

Mas veja, de livre só temos o nome.

Lembro-me da grande campeã Dagma Mazoco, aqui de Venda Nova do Imigrante - ES,
quando me contava sobre um
comentário que seu pai fez ao ver a movimentação de pilotos se preparando para
subir para a rampa; ´´ Este esporte não tem nada de livre, porque na verdade
vocês são todos escravos de uma necessidade constante de se manter em vôo ´´ e
treinados.

Nunca esqueci esta feliz comparação que o pai da Dagma fez...
Ele estava completamente correto em sua análise.

Pilotar um parapente / asa delta não é como jogar bola com seus colegas no
capinho society a cada 10 - 15 - 30 dias, onde sua falta de treinamento irá
refletir apenas no seu ´´tempo de bola ´´ ou naquele gol que deixou de marcar ou
que o seu time levou.

Pilotar um parapente exige de você uma constante atualização de seus
conhecimentos, seja no aspecto técnico e teórico, seja pelas características
pessoais como coordenação motora.

Porque no vôo ( decolagem como estou abordando ) se você errar o seu ´´tempo de
bola ´´ você perderá muito mais que apenas o ´´ gol ´´

Interessante notar a carga de treinamento de um atleta competitivo, de qualquer
modalidade, vôlei, basquete, etc. Os caras treinam dias, anos, uma vida inteira
tendo apenas como foco ganhar uma medalha, ganhar um troféu ( alem é claro do
reconhecimento que isso traz ), mas é apenas um troféu, é apenas uma medalha.

E no nosso caso como pilotos de vôo livre, quando erramos no jogo, o que
perdemos mesmo ?

Se você se decidiu por se tornar um piloto de vôo livre, você tem a obrigação de
olhar este seu novo hobby com total responsabilidade. Esta responsabilidade você
deve ter, em primeiro lugar, com sua própria segurança, em respeito a sua
família, em respeito aos seus companheiros de vôo e com sua rampa de vôo.

Existe toda uma imagem que o cercará como piloto.
Existe todo um universo de responsabilidade em volta de você. E um universo que
vai muito além do ´´ oba oba ´´ da festa após um vôo bem sucedido. Temos pessoas
que nos esperam de volta em casa, temos amigos, temos trabalho.

Ser um piloto de vôo livre, é muito diferente do que alguns pensam tratar-se de
pessoas destemidas e loucas.

Ser um piloto de vôo livre é, acima de tudo, ser alguém que reconhece a grande
dádiva que lhe foi dada, que é poder voar. E agradece a isso procurando se
tornar alguém cada vez melhor, em todos os aspectos de sua vida.

E, como piloto, também busca aprimoramento técnico a partir de treino constante.

Você nunca perde por voltar ao morrinho da escola para treinar os fundamentos da
decolagem.
Você só ganha... e ganha algo muito mais importante que apenas uma medalha,
apenas um trófeu.

Ali no morrinho da escola, onde tudo começou, você está sempre confirmando o seu
direito de voar livre.
Treine em respeito a você. Treine em respeito a todos nós !
Treine sempre !

Samuel Almeida de Souza
G-043
Instrutor / Vôo Duplo

NorteAR Cachoeiro

Decolagens

Decolagens

O meu primeiro parapente foi um Electra da ITV. Adquirido em fins de 89 veio, por sabedoria do amigo que o trouxe da França, acompanhado do livro “Volez em Parapente” do Gerald Delorme. Por me conhecer de longa data e de outros ares, ele me entregou o livro comentando “tomei a iniciativa porque te conheço e acho que assim vai ser mais fácil”.
Mas antes de seguir adiante, um parêntesis.
Parapentezinho desgraçado de ruim era esse – a ITV anunciava no manual (uma simples folha de papel dobrada) que o L/D era 4,5 e, desde aí, eu passei a não acreditar em L/D de manual. O Electra 26, que na verdade só tinha 24 m2, muito pouco para os meus 85 kg, voava menos, talvez uns 3,5. Ou melhor, caía menos. Ou mais!
Teve um dia que eu decolei direto para a praia e não cheguei – o normal era fazer uma curva de 90 graus e pousar na areia, não mais que isso!
Lift no túnel, só com vento muito forte e assim mesmo, o máximo que dava era uns poucos bordos e logo eu estava abaixo da crista enquanto quem estava de Kestrel continuava lá pelo tempo que quisesse (o Kestrel já tinha um L/D verdadeiro de 5,5, tamanhos adequados e permitia alguma ambição de performance – aliás, o Ruy Narra, que foi ao Cristo de Kestrel em 1990, deve achar muita graça de certos ufanismos de quem vai com parapentes performantes hoje).
Mas nesse infausto dia, eu me joguei no campinho de futebol society que existe no “morrinho do perdão”, coisa impensável, a não ser que estolado e no limite da parachutagem, com os velames atuais com seu planeio acima de 8.
Pois é, logo que comecei a entender do assunto lendo o livro e assistindo aos vôos no Pepino, concluí que o único problema para se voar um parapente em condições tranqüilas, abstraindo turbulências, rotores e os colapsos conseqüentes, era a decolagem.
Eu sempre explico para os amigos que o parapente é uma máquina voadora absolutamente estável e que, se em um passe de mágica, fosse possível colocar um leigo em vôo a 500 de altura, bastaria êle saber que, puxando o batoque para um lado ou outro, se lhe dá direção e ele acabaria chegando no chão sem muito estrago - fosse possível fazer o mesmo com uma asa delta e em poucos minutos o leigo faria um buraco no chão.
E concluí também, que a decolagem poderia ser feita de duas formas.
Uma, com muita fé, simplesmente saindo em desabalada corrida ladeira abaixo (as velas antigas, na sua maioria, exigiam essa correria), sem checar o velame e sem pensar em lhe fazer qualquer correção, ou então, procurar seguir o livro que estabelecia claramente uma V1 como em avião - uma velocidade de decisão, decola/não-decola.
Só que em vez de V1, velocidade, era um momento de decisão, justamente o cheque do velame, que pouca gente fazia.
Foi a partir daí, desde o início, que eu valorizei sobremaneira esse cheque, e julguei o seu controle tão importante antes de começar a voar, que ensinei ao meu irmão a correr sempre olhando para cima até sair voando. Foi o que eu denominei na época de “decolagem padrão” – o difícil era conseguir velocidade olhando pra cima.
Foi em 91 que mudei de conceito. Por duas razões quase coincidentes no tempo.
A primeira, por ler um artigo de um instrutor espanhol na Revista Vuelo Libre Parapente no qual êle segmentava a decolagem em três movimentos. O inflar, o checar e o acelerar para obter a maior velocidade possível, com os braços para trás e as mão altas, quase sem frear (aquele velho papo pelotense “a sustentação é uma rosa colhida no jardim da velocidade”).
O segundo motivo foi um encontro de pilotos em Itamonte em que, numa rampa horizontal, sem inclinação e sem vento nenhum, ninguém estava conseguindo decolar. Até que a Valerinha, uma charmosa e mui linda morena voadora de Santos, acho que aluna do Hering (certamente foi porque não havia ainda outro instrutor em SP), colocou o paraca bem lá atrás, inflou com um tremendo tranco e, para surpresa minha, após checar habilmente o velame, assumiu a posição de decolagem “espanhola” conseguindo a velocidade necessária para sair voando.
A partir desse momento, adotei a “posição 3” na minha instrução e a coloquei nos escritos iniciais do MAPIL.
Passados 15 anos, por mais surpreendente que possa parecer, um em cada três pilotos que fazem decolagem alpina em São Conrado, não checam o velame e entregam esse problema ao Onipotente Senhor. Especialmente quando não há vento, porque o espaço é realmente curto para fazê-lo.
Obviamente, isso é conseqüência de instrução deficiente, normalmente, em vista da pressa em levar o aluno logo para o morrinho de forma que êle tire o pé do chão e fique todo feliz e grato ao instrutor. E porque, condicionar o aluno a fazer o cheque automaticamente, e sem pensar, toma tempo e dá trabalho.
Existe, também, é necessário registrar, o piloto “independente” que aprende certo, mas que depois que se livra do instrutor e fica por conta própria, simplesmente começa a fazer tudo do “seu jeito”, normalmente pior.
Mas existem também, como compensação, aqueles que logo têm consciência da deficiência com que foram liberados e passam horas e horas treinando de moto próprio no plano até chegarem a um nível de proficiência muito bom.
E a decolagem “espanhola”? É indispensável?
Não, não é. Ela é muito importante em rampa plana e sem vento.
Onde o vento é forte, normalmente se decola antes de assumir a posição 3, ao travar o avanço do velame. E onde o gradiente da rampa é acentuado, como no Pepino, ela também não é fundamental. Mas ainda assim, é bom tê-la no nosso repertório de condicionamentos - é gratificante ver a quantidade de pilotos que não aprenderam a técnica no seu curso, mas que buscam o seu domínio treinando no plano em dias de vento.
Aproveitemos o ensejo também para comentar a decolagem invertida. Ela é técnica indispensável na evolução do piloto (especialmente para aqueles que não checam o velame na alpina) e deve ser dominada treinando com vento no plano - é ilusão achar que se aprende a decolar invertido no morrinho, perde-se é tempo.
Porque se o parapente infla certo, é só virar e decolar e não se aprendeu nada. Se infla errado e alguma correção se faz necessária, sem treinamento no plano, vai-se acabar é abortando n vezes e se perdendo tempo e se cansando.
Mas os tempos hoje são bons e tudo ficou mais fácil!
Antigamente, acreditem, era proibido inflar parapente no gramado de pouso do Pepino e era uma dificuldade encontrar um lugar adequado para se treinar e adquirir proficiência no domínio do velame.
Até mesmo dobrar parapente e desmontar asa era proibido. Hoje, é só ter vontade. E ficar atento para não complicar os eventuais pousos que estejam se aproximando (especialmente de asa).
Quanto às diversas técnicas para decolar invertido, todas são boas. Umas mais, outras menos – a única restrição que fazemos é àquela em que os batoques são soltos quando se vira de frente. A melhor é a que você se habituou a fazer, domina e faz automaticamente.
E procure fazer sempre da mesma forma.
Vire sempre no mesmo sentido, mesmo sabendo que, dependendo do vento cruzado, às vezes é melhor virar para um lado do que para o outro.Evite fazer isso a não ser que você tenha muita confiança no seu taco. Porque virar para o lado errado num momento crítico pode ter conseqüências bem ruins.
Vamos treinar e corrigir nossos erros?
O tapetão gramado agora está disponível. Tire um tempinho para treinar no plano e você verá com a sua decolagem irá melhorar.
Paulo Pinto - MAPIL